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7 fatores que estão influenciando o mercado de energias renováveis na América Latina

julho 06, 2020 Press Releases

Nos últimos anos, o mercado de energias renováveis latino-americano passou por uma transformação dramática. Fatores de risco político, tendências de investimento, avanços tecnológicos e choques externos afetam o setor de inúmeras maneiras. Como a pandemia de Covid-19 traz distúrbios históricos para as economias do mundo, traçamos as tendências que moldam o mercado latino-americano e  a nossa visão para o futuro do setor.

O setor de energia demonstra resiliência em meio à desaceleração da infraestrutura

O mundo continua a sentir o custo econômico e humano do Covid-19 e seu impacto sobre os projetos de infraestrutura começou a surgir. O surto causou o fechamento de fábricas, paradas na produção e atrasos nas entregas. Como resultado direto, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) estima uma redução potencial de US$50 bilhões de exportações pelas cadeias globais somente no primeiro trimestre deste ano.[1]

Do lado da demanda, como o financiamento governamental e a capacidade burocrática estão desviados para combater o surto do vírus, os projetos de infraestrutura em andamento foram interrompidos e os oleodutos dos projetos cancelados. Com restrições de movimento e regulamentações de lockdown ainda em vigor em vários lugares, as compras públicas cessaram. Enquanto isso, as restrições operacionais e a incerteza econômica estão atrasando a implementação do investimento do setor privado em muitos projetos de infraestrutura.

O mesmo não acontece no setor elétrico. Como muito da atividade econômica é fortemente dependente do uso de eletricidade, manter, e até mesmo expandir o acesso à energia tornou-se uma prioridade. Devido a este foco na capacidade de geração de eletricidade, governos de todas as regiões têm visto os projetos de energia como um desenvolvimento de infraestrutura essencial, mesmo durante os lockdowns.

A demanda por energias renováveis é mantida mesmo quando o uso de eletricidade diminui

Isso não quer dizer que tudo esteja bem para o setor de energia. A pandemia causou o maior choque ao sistema energético global em mais de sete décadas, com uma queda de 6% na demanda para 2020[2] – o equivalente de perder toda a demanda de energia da Índia, o terceiro maior consumidor mundial de energia. O carvão, que é o principal responsável por este declínio significativo, caiu tanto este ano que acreditamos que a indústria talvez nunca mais se recupere.

As estatísticas de todo o mundo apoiam nossa visão: o Reino Unido marcou um mês inteiro sem queimar um único pedaço de carvão para geração de eletricidade – o período ininterrupto mais longo desde 1882. A Suécia encerrou sua última usina a carvão dois meses antes do previsto. E pela primeira vez na história, os EUA produzirão este ano mais energia a partir de energias renováveis, do que a partir do carvão. Não acreditamos que o carvão volte em breve, sobretudo porque as preocupações com as emissões de carbono e as mudanças climáticas, colocam em dúvida a aprovação de projetos.

Em geral, a queda na demanda de quase todos os principais combustíveis é enorme, especialmente para o carvão, petróleo e gás. Mas as energias renováveis estão se atrasando, de acordo com um novo relatório da Agência Internacional de Energia. Ela projeta que a energia solar fotovoltaica e eólica, estão no caminho certo para elevar a geração de energia renovável em 5% em 2020, à medida que os governos aproveitam esta oportunidade de menor demanda, para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e passar para a energia limpa.

Além disso, como o impacto econômico do Covid-19 atinge os resultados das empresas, elas estão procurando cada vez mais fontes de energia mais baratas para conter os custos, aumentando ainda mais a demanda por energia eólica e solar. Este choque importante, significa que a indústria energética que emergirá desta crise, será bem diferente da que veio antes, e acreditamos que as energias renováveis moldarão o futuro do mundo da energia.

Avanços tecnológicos continuam a reduzir custos

Uma das razões mais óbvias para que as energias renováveis sejam bem-sucedidas, particularmente na América Latina, são seus baixos custos. Esta tendência de queda de preços vai se consolidar ainda mais à medida que os avanços tecnológicos tornarem a energia solar e eólica mais barata – e melhor – com o passar dos anos.

Mas, não acredite somente na nossa palavra. O último relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) mostra que a energia renovável não subsidiada é agora a fonte de energia mais acessível para muitos locais e mercados, com reduções de custos previstas para continuar na próxima década.

Enquanto isso, melhorias nos sistemas de armazenamento de baterias, que podem efetivamente integrar altas quotas de energias renováveis solar e eólica em sistemas de energia, bem como um aumento na disponibilidade de redes inteligentes e sistemas de medição em toda a região, demonstrarão que a geração de eletricidade renovável de baixo custo, continuará a sustentar a transformação do setor energético da América Latina até 2050.

Uma nova visão dos financiadores

À medida que os governos procuram impulsionar suas economias pós-pandemia, a demanda de capital por retornos seguros, rentáveis e previsíveis irá aumentar. Projetos greenfield renováveis e operacionais de empresas como a nossa, que têm um forte histórico no setor, fazem ainda mais sentido em momentos como estes.

De fato, como a energia eólica e fotovoltaica não são mais vistas como tecnologias nascentes, temos visto investidores se sentirem mais à vontade com investimentos nestes setores. Os últimos dados da BNEF comprovam isso: o investimento na capacidade de energia renovável no mundo todo subiu para US$282,2 bilhões no ano passado, 1% acima dos US$280,2 bilhões de 2018, mesmo com um cenário de investimentos globais limitados.

Na América Latina, esse crescimento foi substancialmente maior. Em 2019, o Brasil elevou o investimento na capacidade de energia renovável em 74% para US$6,5 bilhões, enquanto o México comprometeu US$4,3 bilhões, 17% acima, e o Chile US$4,9 bilhões, quatro vezes mais. Somente a Argentina conseguiu conter a tendência, com uma queda de 18%.

Estamos vendo investimentos vindo de todos os lados para o setor. Nos últimos cinco anos, os grandes bancos de financiamento de projetos têm oferecido cada vez mais financiamentos tradicionais não-recurso de longo prazo, mas o mercado de capital também tem feito o mesmo. Esta variedade de opções permite aos desenvolvedores obter financiamento mais eficiente tanto em termos de custo quanto de prazo, o que reduz ainda mais o custo da eletricidade, permitindo que os contratos sejam ganhos a um preço mais baixo.

A tendência crescente de financiamento sustentável está pagando dividendos no mercado latino-americano de energias renováveis, com títulos verdes de investimento que impulsionam a construção de inúmeros projetos em toda a região. Nossa emissão recente de uma colocação privada (USPP) de US$253 milhões com a DNB Markets para refinanciar a Javiera e construir o Sol del Desierto, duas usinas solares fotovoltaicas localizadas no norte do Chile, é um exemplo. Ela marca a maior emissão solar fotovoltaica verde USPP da América Latina até hoje. Enquanto isso, estruturas inovadoras, como o bond de US$ 114,4 milhões que emitimos para nossas usinas solares El Naranjal e Del Litoral no Uruguai, demonstram a capacidade dos atores locais de reunir uma sólida estruturação de capital. O financiamento foi colocado pelo DNB Markets e pela Corporação Interamericana de Investimentos (IDB-Invest) e organizado como uma estrutura de títulos A/B com uma parcela sênior de grau de investimento e uma parcela subordinada de grau de sub-investimento, ambas com taxas atraentes e financiamento não-recurso longos.

A ascensão dos APPs corporativos

No entanto, estruturar o tipo certo de financiamento é apenas metade da batalha. Para os investidores, o fator-chave que influencia as decisões é a capacidade de um produtor de energia de assinar contratos de fornecimento com offtakers com histórico financeiro saudável.

Devido, em grande parte, à pressão sobre as corporações por soluções energéticas sustentáveis e econômicas, os contratos de compra de energia corporativa (PPAs), nos quais as empresas compram eletricidade diretamente de geradores independentes em vez de uma concessionária, têm subido na América Latina.

2019 marcou um ano recorde para os PPAs corporativos na região, já que as empresas compraram 2GW de energia limpa – um aumento de três vezes em relação a 2018. Este número deve aumentar ainda mais à medida que um número crescente de empresas pretende reduzir as emissões em conformidade com o Acordo de Paris, e assinar iniciativas como a meta RE100, pela qual se comprometem a compensar 100% de sua demanda de eletricidade com energia limpa.

Mas não são apenas os fatores de sustentabilidade que estão impulsionando esta tendência. A liberalização do mercado também está ajudando. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e o Peru emitiram regulamentações que facilitam o acesso a APPs bilaterais e mercados à vista, e também vimos empresas buscar nesses acordos vantagens econômicas, incluindo a previsibilidade de preços a longo prazo e a capacidade de se proteger contra futuros aumentos de preços.

Com o crescimento do mercado de energia renovável e de armazenamento de energia na América Latina, mais estruturas inovadoras estão disponíveis para espalhar os APPs corporativos a um maior número de participantes, com menos contratos take-or-pay e uma mudança para acordos focados na entrega que visam servir a carga do offtaker.

As políticas de investimento e energia apoiam a transição para as energias renováveis e impulsionam a economia

Durante a COP25 da Conferência Climática das Nações Unidas em Madri no ano passado, uma nova iniciativa regional coordenada pela Organização Latino-Americana de Energia (OLADE) estabeleceu planos para atingir pelo menos 70% de energia renovável em eletricidade até 2030. O compromisso do Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, Paraguai e Peru está aberto para a participação de outros países da região, e busca construir a partir do progresso mundial alcançado por uma série de reformas implantadas pelos governos de toda a região, que visam atrair investimentos para a indústria latino-americana de energia renovável.

Acreditamos que a América Latina continuará a liderar o mundo em sua dedicação ao crescimento da participação das energias renováveis na matriz energética da região, mesmo diante de um contexto político incerto em alguns países. Vimos por nós mesmos que, embora as novas administrações muitas vezes tragam consigo novos investimentos e políticas energéticas, afetando o apetite por diferentes mercados, o compromisso global com a energia limpa em toda a América Latina tem permanecido bastante constante.

A rentabilidade contínua da energia renovável está agora em nítido contraste com outros ativos em toda a região, com muitos apoiadores que veem o setor como uma aposta relativamente mais segura nestes tempos conturbados. Na verdade, além de ser uma aposta mais segura, acreditamos que as energias renováveis ajudarão na recuperação da América Latina após o Covid-19.

Terra de oportunidades – com o parceiro certo

O mercado de energia renovável na América Latina está em um ponto de inflexão, pronto para se expandir substancialmente e ajudar a impulsionar a recuperação econômica pós-Covid. Com políticas favoráveis de energia, investimento e a crescente demanda por energia limpa, a região oferece perspetivas sem precedentes para os investidores que são capazes de navegar no mercado. Mas nem todas as oportunidades são criadas de forma igual. A fim de aproveitar a revolução da energia verde na América Latina, os investidores devem garantir o apoio de parceiros confiáveis que possam estruturar transações lucrativas e seguras, com foco em uma forte gestão de risco e contratos de longo prazo e estáveis com patrocinadores dignos de crédito.

A Atlas é uma empresa líder na geração de energia renovável operando em toda a América Latina. Com uma das maiores bases de ativos solares da região, a Atlas é especializada no desenvolvimento, construção e operação de projetos de energia renovável em larga escala, que são feitos sob medida para as necessidades energéticas da América Latina. Para mais informações, entre em contato no endereço: contacto@atlasren.com


FONTES

[1] https://unctad.org/en/pages/newsdetails.aspx?OriginalVersionID=2297

[2] https://www.weforum.org/agenda/2020/05/covid19-energy-use-drop-crisis/

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